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COMUNIDADE
Setembro 2019
Carlos Latuff: Quebrar barraco na Vila Cruzeiro é fácil. Quero ver é quebrar sigilo bancário!


Tá de brincadeira, né? Quero ver quebrar todas as trincheiras e bunkers desses e de outros bandidos (e isso também passa por quebrar o sigilo bancário e outros sigilos de muitos bandidos, como vem quebrando um certo cara da Australia).

O Brasil precisa é de uma boa reforma urbana e agrária. Uma reforma comprometida com o interesse do cidadao e nao com o interesse do capital. Cidade nenhuma pode ser maravilhosa com uma populacao de mais de 6.000.000 de pessoas. (Segundo o mais recente censo do IBGE). Ja é hora de acabar com as favelas, de criar condicoes para o desenvolvimento das pequenas e medias cidades, criar condicoes para o desenvolvimento do pequeno e medio produtor rural.

Já é hora de criar condicoes para evitar a fuga para os grandes centros urbanos e tratar de reverter o processo. E eu nao falo só do retorno à casa. Há muita gente que nasceu no Rio mas que gostaria de tentar a vida num outro Brasil; muita gente que até mora fora do país e que tá doida para voltar e investir suas economias, seus esforços e seu potencial em qualquer pedacinho dessa terra que lhe paraça credível. Nosso país é todo maravilhoso !

O cidadao precisa de qualidade de vida; o capital precisa de quantidade de gente. O Rio precisa de reformas estruturais e nao pode ser visto fora do contexto regional e nacional. O Brasil precisa de reformas estruturais, … inclusive para melhorar o resto do mundo. Ta mais do que na hora de dar um basta nesse poder paralelo que impera nas favelas mas que lá nao mora. Quer mesmo vencer o trafico nas favelas? Dá trabalho, formacao e dignidade ao favelado. Investe nos jovens e protege a todos.

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O trabalho de proteçao já começou mas merece severas críticas. Uma delas é que foi executado com emoçao do civil (sob a influencia do medo, da pressao da mídia e do momento político) e concebido por miolo de militar (onde casualties e “baixas inevitáveis” sao aceitas com uma certa naturalidade).

A verdade é que, embora urgente, essa operaçao – eminentemente militar – nao poderia ter sido iniciada sem a evacuaçao de toda a populaçao daquela area. (Sim, um enorme trabalho que exigiria um grande investimento em recursos humanos e financeiros, planejamento adequado, muito contrôle, muita ordem e cuidados proprios de uma situacao de conflito armado).

A populaçao nao poderia jamais – de forma alguma – estar exposta como se encontra. Sim, nós estamos a violar a lei, o Direito Internacional Humanitário, e nós vamos sim ter causalities. Mas essas « baixas » serao sempre vidas, vidas que poderiam e que deveriam ser protegidas e conservadas.

E depois da ocupaçao, o que vamos fazer com o pequeno soldado, o sinaleiro e o jovem distribuidor de drogas no varejo? Vamos esquecer que, dada a nossa omissao, muitos foram obrigados a trabalhar para o tráfico ou seduzidos pelo dinheiro e pelos encantos do traficante? Vamos esquecer que muitos deles sao viciados e necessitam tratamento adequado ? Vamos botar todo mundo na cadeia, tratá-los com o Sistema de Justiça Penal que nós temos ou o que?

O que vamos fazer depois da invasao e da caça aos tesouros? Quem será o novo dono da bola? Ninguem mais vai querer vender e comprar drogas e armas nas favelas do Rio de Janeiro? Que política melhor que a da inclusao social ? Quer acabar com o favelado? Dá condicoes para ele se desenvolver. Quer um Brasil melhor? Bota fé na gente.


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