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CULTURA
Setembro 2019
45_gDepois do surpreendente CD  Cê (Nonesuch, 2008), Caetano Veloso aparece com um mais um disco com a mesma banda. Mas apesar de ter somente guitarra, baixo e bateria (e ocasionalmente violão, tocado pelo próprio artista), os arranjos tem toda a complexidade quase bossa-novista que é a marca registrada dele. 

Desta vez, não encontramos Caetano com raiva do passado. Desta vez, ele pondera na possibilidade de se apaixonar de novo enquanto nota a beleza em volta dele. Ele usa linguagem metafórica muitas vezes, que deixa o significado das letras livres para interpretação.

No entanto, ele é bem claro em canções como“Tarado Ni Você,” no qual ele simplesmente repete a palavra “tarado” enquanto descreve a nudez à mostra no Carnaval carioca. Ele também faz um protesto direto em “A Base de Guantánamo,” cuja letra diz “O fato dos americanos desrespeitarem os direitos humanos em solo cubano é demais forte para eu não me abalar.” 

9_gEntre os melhores momentos estão o cover de “Falso Leblon” de João Bosco e Aldir Blanc, e também “Menina da Ria”, onde Caetano admira a beleza de uma mulher lusitana. Também vale a pena ouvir  “Ingenuidade,” uma bossa onde o narrador reconhece que fez mais uma besteira romântica mesmo depois de tanta experiência.  

Nem todas as faixas são tão interessantes. Por exemplo, “Lobão Tem Razao” falha em tentar mesclar rock com ritmos baianos, e nota-se que falta percussão para que a canção funcione. Também a faixa inicial  “Perdeu” nos faz pensar o que aconteceu com a musa de Caetano – até que ouvimos o resto do CD.

Apesar dos momentos fracos, Zii e Zie mostra que Caetano Veloso ainda esta em grande forma como cantor e compositor, e que a idade não o previne arriscar algo novo para – como Bob Dylan – reinventar-se mais uma vez.

ESCUTE O CD Zii e Zie, clique aqui.

--- Ernest Barteldes
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